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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Governo quer destravar obras de hidrelétricas de pequeno porte no país


O governo quer acelerar o processo de autorização para a construção de diversas usinas hidrelétricas de pequeno porte no país.

Segundo apurou a Folha, a avaliação do Executivo é que as obras ajudariam a aumentar a oferta de energia, sinalizando ao mercado uma oferta mais confortável de energia em dois ou três anos.

O setor aponta como principais entraves para essa alternativa de geração a demora na concessão de licenças ambientais e o preço —a energia das chamadas pequenas entrais hidrelétricas (PCHs) é cara na comparação com a das grandes usinas. que têm ganhos de escala.

Atualmente, há 669 projetos para construção de PCHs parados na Agência Nacional de Energia Elétrica à espera da licença ambiental, de responsabilidade dos Estados. A estimativa é da Abragel (Associaçào Brasileira de Geração de Energia Limpa).

Juntas, essas pequenas hidrelétricas representariam um acréscimo de 7.139 megawatts no sistema elétrico, ou 56% da capacidade instalada atual do país. Esse volume equivale à previsão de expansão da oferta de energia neste ano — 6.000 a 8.000 megawatts.

O prazo para a construção de urna PCH, no entanto, é de 24 a 36 meses.


De acordo com Charles Lenzi, presidente da Abragel, a aproximação do setor com o governo começou há cerca de dois anos. No momento, cresceu a possibilidade de essas usinas conquistarem espaço nos leilões para a venda de energia para as distribuidoras, segundo ele. “Temos agora uma expectativa muito grande em vista da conjuntura do momento, onde qualquer expansão é necessária e bem-vinda”, diz.

As PCHs tradicionalmente operam no mercado livre, em que as grandes indústrias compram a energia diretamente das geradoras. Por causa da seca, o preço chega a R$ 822 nesse mercado. No ano passado, 24 pequenas centrais hidrelétricas conseguiram vender sua energia em leilão. O preço do megawatt produzido foi de cerca de R$ 140.

Até 2013, apenas outras 24 PCHs haviam conseguido comercializar energia em leilão, justamente porque não conseguiriam financiar a obra mantendo preços atrativos.

Para ser vantajosa a construção e operação do empreendimento, o setor diz que seria ideal conseguir uma tarifa entre R$ 175 e R$ 18o.
Os R$ 140 obtidos em 2013, no entanto, são altos se comparados aos R$ 95,40 obtidos no último leilão para contratar energia nova —de usinas ainda a ser construídas— em dezembro do ano passado.

Fonte: Folha de S. Paulo – 14/04/2014