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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Governo planeja térmicas na capital paulista e desperta interesse da AES


O governo de São Paulo vai abrir hoje uma chamada pública para encontrar parceiros para investir em térmicas a gás na capital paulista. Foi encontrado potencial para até seis usinas nos terrenos já detidos pela estatal Emae, com capacidade de 250 megawatts (MW) cada uma, disse o secretário de energia João Carlos Meirelles, em evento realizado ontem. Conforme antecipado pelo Valor, a Emae pretende entrar com os ativos que já detém, como os próprios terrenos e redes. A estimativa do governo é que cada usina demande de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão.



A AES Tietê já sinalizou interesse na parceria. “Cogitamos seriamente investir nos projetos da Emae. É um complemento à nossa estratégia de crescer na geração termelétrica”, afirmou o presidente do grupo AES Brasil, Britaldo Soares. “Já existem terrenos, gasodutos e redes de transmissão, é um ativo bem interessante”, ressaltou, lembrando que a Tietê sempre atua como majoritária nos projetos. Há anos, a companhia tenta viabilizar oferta de gás natural para dois projetos de termelétricas no Estado, sem sucesso, diante da baixa disponibilidade do insumo pela Petrobras.
Nas contas da secretaria de energia, os 1,5 mil MW de capacidade total dos projetos demandariam 6 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Desse total, 1,5 milhão de metros cúbicos diários podem ser disponibilizados pela Comgás, que tem excedente do insumo, enquanto o volume restante pode ser viabilizado por contratos de gás natural liquefeito (GNL) importado.
De acordo com Meirelles, o GNL poderia ser regaseificado em terminais da Petrobras em Salvador ou no Rio de Janeiro e compensados, via swap, pelo insumo que passa pelos gasodutos de São Paulo. Outra opção seria a instalação pela iniciativa privada de navios regaseificadores nos portos de Santos ou São Sebastião.
No evento realizado ontem, o governo estadual lançou também oficialmente o projeto do gasoduto da Rota 4, que visa escoar a produção de gás do pré-sal da Bacia de Santos. A previsão do governo é que a obra demande investimentos de R$ 8 bilhões e, segundo o secretário de energia, Cosan e Shell já confirmaram investimentos no projeto.
Marcos Lutz, presidente do grupo Cosan, ressaltou contudo que a empresa participará da iniciativa, mas não necessariamente aportando capital. “Vamos coordenar um grande estudo e a entrada de investidores, que podem ser inclusive os produtores do pré-sal”, disse. O gasoduto tem potencial para dobrar o abastecimento de gás do Estado, com oferta de 15 milhões de metros cúbicos diários.
Segundo Lutz, é necessário começar as avaliações hoje, para conseguir viabilizar o projeto quanto a produção de gás no pré-sal tiver início – na melhor das hipóteses, em 2021. “Essa é a estimativa mais otimista”, ponderou afirmando que a produção pode atrasar diante da postura mais conservadora da Petrobras em relação a investimentos.
O presidente da ABRAPCH, Ivo Pugnaloni, comentou a notícia publicada pelo Valor Econômico:
Aonde estarão os protestos dos “ambientalistas de araque”, contra mais essas termoelétricas fósseis, agora em São Paulo?
Terão esses ferozes críticos da “poluição das hidroelétricas” perdido a voz?
Ou estarão com as gargantas roucas de gritar no Xingu, na frente das câmeras do produtor e diretor James Cameron, numa imitação “remake” mal feita, de “Avatar”?
Ou será que os efeitos sobre a saúde humana do forte aumento das emissões de gases de carbono e particulados, causados pelas térmicas fósseis e pelo tabaco, não é abrangido pelos “estudos científicos” que ele encomendam a “especialistas” para caluniar as hidrelétricas com o dinheiro vindo das Sete Irmãs do petróleo, que cobrem os custos de suas atividades no Brasil?

Fonte: Valor Econômico - 08/07/2015