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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Energia renovável cria dez vezes mais empregos que térmicas fósseis, aponta estudo

De acordo com o levantamento da UK Energy Research Centre, os projetos de energia limpa criam até dez vezes mais postos de trabalho que empreendimentos movidos a combustíveis fósseis de igual tamanho.

Além dos inúmeros benefícios econômicos e ambientais já conhecidos que a geração de energia renovável é capaz de trazer para a sociedade em que estão instaladas, um estudo realizado na Inglaterra aponta outro grande ponto positivo dessas fontes em relação às térmicas fósseis: a maior geração de empregos. 


O artigo publicado pela entidade inglesa chegou a essa conclusão tomando como base a análise de 50 estudos desenvolvidos desde 2000 que tracem a relação entre o investimento em energia limpa e a criação de empregos nos Estados Unidos, Europa e na China. Os especialistas concluíram que, em média, as térmicas fósseis criam entre 0,1 e 0,2 empregos por gigawatt-hora (GWh) gerado. Como comparação, as energias limpas podem criar entre 0,2 e 1,1 empregos por GWh gerado. A média mostra que as fontes renováveis criam o dobro de postos: 0,5/GWh contra 0,25/GWh das fósseis.

Ainda segundo o estudo da UK Energy Research Centre, cada 1 milhão de euros investidos em energia limpa gera pelo menos 10 novos empregos.

“O maior investimento  do governo em energia renovável e em eficiência energética pode oferecer benefícios a curto prazo, ajudando a economia a crescer em períodos de recessão e promovendo empregos”, analisa o Dr. Will Blyth, da Oxford Energy Associates. “Quando a economia começa a se recuperar, o principal desafio para as políticas do governo é incentivar uma transição economicamente eficiente para os objetivos estratégicos do país. Existe, então, uma forte razão para o investimento em tecnologias renováveis e medidas de eficiência como parte da transformação para um sistema energético que emita baixas quantidades de carbono”, completa.

Apesar de todo esse panorama positivo e que impulsiona o desenvolvimento dessas fontes renováveis, no Brasil há alguns aspectos que necessitam de melhora. As usinas eólicas, por exemplo, vêm crescendo em especial no último ano. Mas isso não se estende a todas as fontes. As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) é um caso claro disso, com a criação de medidas que se tornam empecilhos para a expansão dos empreendimentos – basta notar que existem 9,4 mil MW em projetos para serem construídos, sendo que 7,2 mil MW estão parados à espera de análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Todo esse montante de energia desperdiçada há anos evita que o país possa gerar tantos empregos como evidenciado pelo estudo da UK Energy Research Centre. Entre empregos diretos e indiretos e ainda com relação ao efeito-renda, cada megawatt instalado de PCH gera 250 novos empregos. São números que deixam de entrar na estatística brasileira pelo movimento contrário ao desenvolvimento desta fonte que existe no país – algo que a Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidroelétricas (ABRAPCH) trabalha para reverter e vem obtendo resultados.

Fonte: ABRAPCH